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  • Kamila Lopes

There is a reason for everything (PT)


Não esperava que no dia que eu completasse 7 meses nos EUA eu seria TÃO feliz.

Aqui percebi que a felicidade mora nos pequenos momentos, em grandes conquistas, em uma palavra amiga, em um abraço, em uma pessoa, enfim, a felicidade cabe em bastante lugar.

A felicidade é algo que vem e passa, mas ela sempre vem. Infelizmente, alguns não a enxergam e a deixam passar.

Ontem tive uma felicidade 'fora da caixinha' e gostaria de compartilhar.

No começo da semana eu perdi a minha carteira no centro de Morristown - NJ, no meu caminho do correio para o outro correio. 5 minutos andando, nem isso, passei na frente de umas cinco lojas e quando fui pagar minhas impressões, dei conta que já fazia 10 minutos que eu a tinha perdido.

Desespero bateu, mas soube controlá-lo.

Foi uma mistura de sentimentos, mas avisei a todos eles que eu que estava no controle, que não adiantava eles quererem me controlar, porque eu venho trabalhando pesado para me tornar uma pessoa melhor e quando chega a hora de colocar em prática, são meus sentimentos que mandam? Ah, não. Não aceitei. Vou me descabelar? Vou chorar? Vou perguntar para o mundo o que devo fazer?

ESPERA LÁ, KAMILA. Toma o controle dessa situação e seja mais cabeça do que coração! Não deixe as emoções tomarem conta de você.

Assim o fiz!

Respirei fundo, parei, conversei – comigo mesma – levantei a cabeça e fui procurar a minha carteira, fui em cada loja perguntar se alguém tinha deixado ali, muitos (quase todos), pediram meu telefone, mesmo sabendo que já tinha passado um tempo e que ninguém retornaria. Todos me deram palavras de conforto, todos desejaram que eu a encontrasse, todos. Eu aceitei cada palavra e retribui com um sorriso de agradecimento, pois eles estavam me abastecendo.

Como eu já estava calma, pude analisar a situação da melhor forma: fui ao banco, cancelei e o cartão e já sai com um provisório, saquei a mesma quantidade que tinha sacado anteriormente, cancelei mais um cartão no caminho, comprei de volta um outro “Money Order” (motivo pelo qual fui no primeiro correio) e voltei para pegar o documento que imprimi no segundo correio, local que eu dei falta da carteira.

Os atendentes dos dois correios deram um sorriso quando eu voltei e ambos perguntaram: achou? E logo se entristeceram com a minha resposta.

Fiz tudo novo - de novo, porque a gente tem esse poder de fazer algo novo, mesmo que seja de novo.

Sentei, almocei e na volta encontrei uma viatura parada no estacionamento que eu tinha deixado o carro. Cheguei com quem não queria nada, mas como um sorriso no rosto para encarar mais um desafio.

Expliquei o acontecimento, acho que o policial duvidara de mim – estava muito calma para ser verdade – Ele pegou minhas informações, e disse que mais um anjo chegaria. Digo, mais um policial para dar baixa no boletim de ocorrência. Assim, com muita calma, com um inglês que me surpreendeu, fizemos o boletim.

Voltei, respirando, confiando que “There is a reason for everything” – frase que escuto todos os dias e que passei a acreditar, “Existe uma razão para tudo”.

Seria tola se não confiasse, por que ficaria desesperada e triste, sendo que entrego - todos os dias - os meus dias, nas mãos de Deus?

Foi assim que comecei a minha semana, uma segunda-feira onde presenciei uma Kamila diferente e gostei do que ela está se tornando.

Passou a minha segunda-feira, passou mais uma terça-feira, a quarta-feira foi outro dia desafiador (outro post), e quando a minha quinta-feira estava quase terminando, meu host dad chega da caixa do correio com um pacote vermelho, dizendo que eu tinha recebido do correio. Fiquei confusa, sem graça e priorizei pegar as crianças de dentro do carro.

O host dad não fechou a porta da garagem e isso fez que eu prolongasse meu tempo correndo atrás de 2 crianças que queriam fugir de casa. Para ajudar, essas duas crianças começaram a chorar loucamente, e minha cabeça acabou abafando o choro, tudo por curiosidade para saber o remetente do meu presente de aniversário atrasado.

Consegui colocar as duas crianças para dentro de casa, o choro não entrava pelos meus ouvidos.

Apalpei o pacote, li o nome do remetente, um nome de alguém que eu nunca tinha conhecido na vida. Alguém que de uma forma sabia meu nome e endereço. Peguei o embrulho e quando me dei conta – era a minha carteira que eu estava segurando – Nesse momento morou a felicidade.

Já não controlava meu corpo e em um milésimo de segundo, minhas mãos começaram a tremer, primeira coisa que fiz foi abrir o compartimento de moedas, porque ali era o lugar que tinha deixado o anel que meus meus me deram quando me formei na escola, na verdade era o que mais me importava, ali ele estava, da mesma forma e modelo.

Senti alivio e GRITEI, gritei o nome do meu host dad que já estava na garagem, e mesmo com a porta fechada, mesmo com o choro das crianças, ele me escutou.

Sai com um sorriso no rosto, com a sobrancelha frisada pela dúvida de como aquilo chegara ali. Ele voltou, também feliz.

Eu me lembro que mostrei a carteira e a única coisa que eu consegui falar foi: Deus é bom!

Ele ficou confuso também, quem não ficaria? Como ele é um cara muito engraçado, fez aquele comentário que eu já imaginara que faria: - Joga o nome dele no Google, vai que é solteiro. – Eu não tenho essa sorte, eu disse. E ele terminou com: - História de filme, igual os filmes que você gosta de assistir. Rimos e ele foi para o trabalho.

Pulei, peguei as crianças no colo, que continuavam a gritar de uma forma que eu não sei como não me desesperou. Liguei para a minha mãe, e foi nessa hora que meus olhos se encheram de lágrimas, falamos de como Deus foi – é – e sempre vai ser – BOM!

Desliguei o celular, pois o choro de cada menino era um ruído em nossa ligação. Pulei, sorri e abracei os dois, beijei, e eles sem entender se acalmaram.

Então, fui avisar cada amigo que eu tinha comentado.

Essa é uma das histórias que podemos chamar de “Se eu contar, ninguém vai acreditar”.

Fiz uma carta de agradecimento e mandarei um cartão presente do Starbucks para ele tomar um café por minha conta. Também fiz um recado para cada anjo que Deus colocou no meu caminho naquela segunda-feira chuvosa. Hoje entreguei as cartas para: * Senhor Stanley * o moço do Post Office * O moço da UPS * As duas mulheres bonitas da loja * O moço do salão de cabeleireiro.

Todos lembraram de mim, podem até me esquecer um dia, mas todos já tem um lugar especial em minhas orações.

“It’s Nice be important, but it’s more important to be Nice!”


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